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riscos_e_rabiscos

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Os Santos Populares.

(Foto minha - versinho que acompanhava um manjerico que me foi oferecido pelos meus alunos o ano passado.)

Antigamente, enquanto eu fui miúda e adolescente, em todos os cantinhos aqui da minha zona - e eram muitos - haviam bailaricos. Era engraçado porque, na mesma rua, chegavam a haver dois bailaricos. Depois havia aqueles sítios que eram o "Top", como se fossem as discotecas mais famosas. Era aí que o pessoal namoradeiro ia controlar a potencial cara metade.

 

As noites de verão eram mais quentes e agradáveis, não havia internet nem telemóvel e a televisão à noite também não era nada de especial. Então, a seguir ao jantar, as amigas e os amigos encontravam-se e iam para os bailaricos. Geralmente, corriam-se os cantinhos todos para ver qual era o melhor em termos de música e de "vistas". Aquele que estivesse a bombar era onde se ficava. E é engraçado que mesmo não havendo telemóveis, os pais sabiam sempre onde estávamos.

 

Depois começou a aparecer a chungaria. Surgiram as bebedeiras desordeiras, as agressões, os grupos de gangs e o consequente desaparecimento progressivo destes cantinhos, que eram um pretexto para a comunidade local conviver em harmonia e alegria.

 

Hoje, acho que já não há nenhum bailarico aqui na zona, pelo menos desconheço, e se quisermos ir a algum arraial, temos mesmo que ir para os famosos bairros lisboetas.

 

Esta época também me traz muita saudade da minha época de universidade. Tinha sempre frequência no dia do desfile das marchas na Avenida da Liberdade, o que me tramava em termos de transportes pois parava tudo. Eram tempos giros mas que ficaram lá atrás.